Guilherme Piva: só risos!

Guilherme Piva revela estar sem zelo com seu visual para interpretar Licurgo, seu personagem em Novo Mundo

Texto: Thomaz Rocha

Guilherme Piva | <i>Crédito: Divulgação
Guilherme Piva | Crédito: Divulgação


As longas barbas e os cabelos revoltos de Licurgo reafirmam a entrega de Guilherme Piva ao seu personagem de Novo Mundo. Não apenas pela responsabilidade por interpretar um tipo desleixado, mas por assumir esse visual também no dia a dia. “Estou 0% vaidade. Não sei lidar com esse zelo com o visual no meu cotidiano. Estou mudando a minha forma de ser por causa do Licurgo. Estou curtindo essa fase meio hippie (risos)”, revela o gaúcho que vem usando esse visual antes mesmo de começar a novela das 6, por causa da peça A Invenção do Amor, em que viveu um homem das cavernas ao lado de Maria Clara Gueiros. Com o final de Novo Mundo (dia 25/09), o espetáculo vai rodar o Brasil.

Receita do sucesso 
Guilherme é só alegria com o sucesso do casal Licurgo e Germana (Vivianne Pasmanter) na trama de Thereza Falcão e Alessandro Marson. Os inusitados personagens caíram no gosto do público, mesmo nas situações politicamente incorretas, em que os donos da taberna passam. Para Guilherme, a receita do sucesso está no humor alinhado à crítica social. “A gente consegue fazer uma crítica a esses pequenos atos errados que todos fazem na vida. Todo mundo reclama do país, dos políticos, mas em qualquer oportunidade, tentam levar um pouco de vantagem. Licurgo e Germana sublinham essa parte e as pessoas se reconhecem nas situações deles e riem de si próprio”, revela o ator, que acha um barato dar voz a essas ações imorais. “Todos nós temos os mais variados sentimentos e impulsos dentro da gente, como raiva, amor, inveja, ódio, ambição... Aprendemos com a sociedade a abafar certas coisas, que demonstrar determinadas emoções é feio, mas a gente não deixa de sentir. O que a gente faz com a arte é por pra fora esses sentimentos ruins de dentro da gente”, conta.

Rir é o melhor remédio 
Conhecido por vários trabalhos no humor, Guilherme não esconde sua simpatia pelo gênero. “O humor salva, não apenas na ficção, mas na vida também. Esse é um fator muito legal que a comédia traz, que é olhar, rir, achar que não é com você, mas no fundo você sabe que está rindo de si mesmo”, conta o libriano, que acredita que, apesar das brigas, Licurgo e Germana se amam de verdade. Outro personagem engraçado e inesquecível do ator é o Zé Maria, de Xica da Silva (1996), que, assim como Licurgo, também vivia no século XVIII. “Foi um marco na minha vida. Aprendi muita coisa de TV, mas sofri demais. Essa coisa de decorar as falas para o dia seguinte era muito difícil. Não conhecia o mecanismo. Zé Maria era um personagem à frente do tempo, de composição. Aprendi que, quanto maior a composição, maior a verdade. Era uma participação de três meses e fiquei a novela inteira”, revela sobre seu segundo trabalho na telinha, concluído há 20 anos. O ator debutou numa participação em Malhação (1995). 

Caminho certo
Com uma carreira de 31 anos, Guilherme se orgulha da fase em que vivia apenas de teatro, fazendo três, quatro espetáculos ao ano. Ele, inclusive, sofreu com a rejeição dos parentes, que preferiam que ele fosse advogado como o pai, Luiz Carlos. “Entrei na faculdade de Direito e detestei. Na mesma época, comecei a cursar teatro e desisti de ser advogado. Você sabe que está no caminho certo quando entra num lugar que tem a ver com você”, conclui.


29/08/2017 - 14:46

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