André Dias: nos palcos ou na TV com a mesma paixão

Com uma longa e consagrada carreira no teatro, o carioca André Dias admite ter sido mordido pelo bichinho da televisão ao interpretar Patrício, o esnobe e nada confiável mordomo de Novo Mundo

Texto: Carlos Ramos

André Dias | <i>Crédito: Divulgação
André Dias | Crédito: Divulgação


Depois de 26 anos de uma carreira bem-sucedida nos palcos, principalmente no teatro musical, André Dias está amando fazer uma novela por inteiro, pela primeira vez. E justamente na pele de um personagem que ele classifica de inescrupuloso, como é o caso do mordomo Patrício, de Novo Mundo. André adverte que o papel é meio casca grossa, o que o diferencia totalmente do intérprete, que se considera uma pessoa tranquila. “Estou fascinado, aprendendo todo dia, inclusive, com os jovens. A TV tem muita urgência, e isso é um exercício incrível para o ator condicionado com o fazer teatral. Tenho a música dentro de mim, mas transito entre os gêneros que o ator precisa dominar”, revela o carioca, de 42 anos, filho de um advogado com uma professora e irmão de uma farmacêutica, que, em 1993, passou para a UniRio, onde se formou em Artes Cênicas e Teoria e Percepção Musical, quatro anos depois.

OVELHA NEGRA 
Apesar de brincar que é a única ovelha negra da família, André conta que ninguém na sua casa se opôs quando ele decidiu ser ator. “Claro que eles se preocupavam com o meu sustento. Meu pai, José Delton Moreira Dias, precisou autorizar para eu participar do meu primeiro trabalho profissional, aos 16 anos, que foi o espetáculo A Princesa de Élida, de Molière. Depois disso, me enveredei pelos palcos e nunca mais parei, a ponto de, a partir de 1991, participar de duas peças por ano” 

INFLUÊNCIAS CASEIRAS 
O pai e a mãe, Beatriz, do ator sempre tiveram bom gosto musical, tanto que ele e sua irmã, Patrícia, cresceram, na Tijuca, bairro classe média da zona Norte carioca, ouvindo a nata da MPB como Elis Regina, Clara Nunes e Gonzaguinha. E também a boa música negra americana, como o jazz de Nat King Cole, por exemplo. “Ah, e o nosso samba! Cartola, sempre ouvi”, destaca André, que, por causa da novela, está na ponte aérea, uma vez que sua residência oficial é na sofisticada região dos Jardins, em São Paulo. 

BALADA, ELE ESTÁ FORA 
André anda na contramão da ideia que se faz de que os artistas, em geral, são notívagos. “Não sou de baladas. Sou mais caseiro. Gosto de cozinhar, experimentar receitas para ver se dá certo ou não, e receber amigos para tomar um vinho. Mas gosto de deitar cedo, mesmo não sendo de acordar com o galo cantando. O ideal para mim é lá pelas 9h, 10h”, conta. Tanto em São Paulo quanto no Rio, ele tenta manter a rotina de praticar yoga, natação e frequentar academia, de três a quatro vezes por semana, acompanhado por um personal trainer. 

ATLETA DA PALAVRA
Para André, o ator é um atleta da palavra, independente se falada ou cantada. E, por já fazer teatro, é que foi estudar canto lírico, para se aprimorar na profissão. “Nunca tive essa intenção e nem me considero ator de musical. Sou um ator!”, observa ele, que ostenta com carinho o Prêmio APTR (Associação dos Produtores de Teatro) de 2011, de melhor ator coadjuvante pela peça No Tempo do Rei, baseada na obra de Ruy Castro.


14/09/2017 - 09:00

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