Autor de Segundo Sol, João Emanuel Carneiro avisa que a trama será uma novela bem mais dramática

Confira o papo com o autor da nova novela das 9, que estreia hoje

Thomaz Rocha

O autor estreia sua sexta novela solo | <i>Crédito: Cadu Pilotto
O autor estreia sua sexta novela solo | Crédito: Cadu Pilotto


Prestes a estrear a sexta novela de sua carreira como autor solo, João Emanuel Carneiro pincela a trama de Segundo Sol com o colorido baiano, estado em que a nova trama da Globo é ambientada. Pelo menos é assim que define o carioca, que escreveu os fenômenos Avenida Brasil (2012), A Favorita (2008) e Da Cor do Pecado (2004). “É uma historia muito comovente, simples e singela sobre família. É um drama para emocionar mesmo, acredito que a trama vai transmitir uma ternura para os lares”, aposta João Emanuel, que acredita estar escrevendo um enredo semelhante a Da Cor do Pecado e ao filme Central do Brasil (1998), que têm forte apelo dramático. O autor joga suas cartas nessa característica para fisgar o telespectador, dois anos depois de concluir A Regra do Jogo (2015). Na ocasião, a novela foi rejeitada pelo público por causa da trama densa, que mostrava uma realidade nua e crua do Brasil, segundo os grupos de discussão do folhetim na época.

Foco central
A ideia da espinha dorsal da trama, centrado na suposta morte do cantor de axé Beto Falcão (Emílio Dantas), brotou na cabeça de João Emanuel ainda em 2009, logo após o falecimento do rei do pop, Michael Jackson. Segundo o autor, ele achou inusitado ao saber que o cantor faturou, em uma semana após sua morte, o que ele lucrou em mais de dez anos de vida. “Foi aí que nasceu a ideia de criar alguém que se fizesse de morto. Pensei primeiramente num cantor sertanejo, mas cheguei ao intérprete de axé, que vive na Bahia, que é um lugar que eu sempre gostei muito”, afirma João, que se orgulha de contar uma história que se passa em Salvador (BA). “É uma cidade muito importante do Brasil. Nosso país tem poucos lugares com uma identidade visual tão forte. Quero que haja vitalidade, alegria, cor e luz na nossa história. A intenção é mostrar uma Bahia moderna, contemporânea, empreendedora e mais realista”, conta.

Pela primeira vez, João faz parceria com Dennis Carvalho, o diretor artístico da trama. Foto: João Miguel Jr. / Rede Globo 

Inspirações reais
Apesar de ter começado sua carreira de escritor ao redigir as histórias em quadrinhos de Ziraldo, foi apenas em 1998 que ficou conhecido, ao levar seu filme Central ao Brasil, ao tapete vermelho do Oscar, por conta da indicação do longa como Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Atriz (pela interpretação de Fernanda Montenegro). A premiação não saiu, mas o reconhecimento veio e, após 20 anos do lançamento do longa, João Emanuel é considerado um dos melhores autores de sua geração, servindo de inspiração para muitos jovens escritores. Mas o que influenciao autor são as notícias cotidianas que ele lê nos jornais e vê nos noticiários. “Eu sempre guardo recortes de jornal com notícias que me inspiram, tenho uma pilha de papéis”, afirma o novelista, de 46 anos. 

Giovanna Antonelli e Emílio Dantas em cena da nova novela das 9. Foto: João Cotta/ Rede Globo

Vilania das boas
Uma característica que define bem as obras do carioca é o carisma de suas antagonistas. Para Segundo Sol, não será diferente. A malvada da vez é Karola (Deborah Secco), que sempre será influenciada por sua mentora maquiavélica, Laureta (Adriana Esteves). Segundo João Emanuel, as duas vilãs se complementam e vão causar muito em cena. “Elas são amorais, mas bem-humoradas, até um pouco palhaças. As duas se dividem nas maldades, mas a Laureta está sempre à frente, é a mentora dos planos. Karola e Laureta mantêm uma relação de dependência e se complementam”, conclui.



14/05/2018 - 19:41

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